fevereiro 27, 2026

Anielle Franco: Condenação é recado a quem debochou de Marielle

© Valter Campanato/Agência Brasil

A histórica condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018 no Rio de Janeiro, reverberou profundamente em todo o país. O Supremo Tribunal Federal (STF), em uma decisão unânime, impôs penas que somam 76 anos e três meses de prisão aos principais acusados, além de condenar outros três envolvidos no crime. Para Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, essa decisão não é apenas um ato de justiça, mas um contundente recado a todos que, ao longo de quase seis anos de investigações, demonstraram desprezo e deboche pela tragédia. A emoção e o sentimento de alívio tomaram conta dos familiares que, após anos de dor e luta, finalmente veem uma resposta concreta da Justiça.

A decisão histórica do STF

Os detalhes da condenação dos mandantes

Na última quarta-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal proferiu uma sentença que marca um ponto de virada no intrincado caso Marielle Franco e Anderson Gomes. Por unanimidade, os ministros condenaram os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, deputado federal, a 76 anos e três meses de reclusão cada um. Eles foram considerados os arquitetos intelectuais do duplo homicídio qualificado e da tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que também estava no carro. Além dos irmãos Brazão, outros três réus foram apenados: Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, condenado a 43 anos e quatro meses por planejar e obstruir as investigações; Giniton Lages, ex-delegado da Polícia Civil, com pena de 11 anos e 6 meses por atrapalhar a apuração; e Ronald Paulo de Alves Pereira, o Major Ronald, condenado a 60 anos e seis meses por envolvimento direto nos assassinatos.

A decisão do STF encerra uma fase de longas e tortuosas investigações que duraram quase seis anos. O julgamento, acompanhado atentamente por familiares das vítimas e pela sociedade civil, representou um passo fundamental na busca por justiça e na elucidação de um crime que chocou o Brasil e o mundo, expondo as profundas redes de crime organizado e milícias na política fluminense. A condenação dos mandantes não apenas identifica os responsáveis, mas também reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a apuração de crimes políticos, enviando uma clara mensagem contra a impunidade. A unanimidade dos votos dos ministros do STF sublinha a robustez das provas apresentadas e a convicção da Corte quanto à autoria e motivação dos crimes.

A voz das vítimas e o fim do deboche

Anielle Franco e o recado à sociedade

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e uma das vozes mais ativas na busca por justiça para sua irmã, Marielle Franco, não conteve a emoção ao comentar a condenação. Para ela, a decisão do STF transcende o âmbito jurídico, transformando-se em um poderoso recado social. “Isso é também um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã”, afirmou Anielle, visivelmente abalada, mas com a voz firme. A ministra relembrou os momentos de desrespeito e zombaria enfrentados pela família ao longo dos anos, especialmente em períodos eleitorais, quando a memória de Marielle era frequentemente instrumentalizada e desvalorizada. “Uma parcela da sociedade que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, sendo apenas mais uma, ou como falavam, mimimi sobre Marielle Franco”, pontuou Anielle, denunciando a banalização de uma vida e de uma luta política. Sua fala sublinha a dimensão simbólica do julgamento, que não só pune criminosos, mas também valida a dor e a persistência de uma família que se recusou a silenciar diante da violência e da impunidade.

O alívio da família Franco e Gomes

Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, expressou um profundo alívio e gratidão pela condenação, descrevendo o julgamento como histórico. “É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida”, declarou Marinete, cujas palavras ressoam o sentimento de milhões de pessoas que acompanhavam o caso. O pai de Marielle, Antonio Francisco, embora tenha passado por um pico de pressão durante o tenso julgamento, conseguindo ser atendido por uma equipe médica, também conversou com a imprensa e descreveu os “quase oito anos de angústia” vividos pela família até aquele momento crucial. Sua condição de saúde no tribunal sublinhou a carga emocional e o peso que a espera pela justiça impôs aos familiares. A condenação representa não apenas o fim de uma etapa, mas a validação de uma luta incansável pela verdade e pela memória de Marielle e Anderson.

Agatha Reis, viúva de Anderson Gomes, ecoou o sentimento de esperança e reforçou a importância da decisão para outras famílias que buscam justiça. “Ainda há esperança, ainda há quem faça o bem. O mal não vai sobreviver. Hoje foi prova disso”, disse Agatha, com a voz embargada pela emoção, mas transmitindo uma mensagem de resiliência. Ela expressou o desejo de que essa condenação inspire e impulsione a resolução de outros crimes, especialmente aqueles que envolvem violência de gênero e política, demonstrando que a impunidade pode, de fato, ser combatida. Fernanda Chaves, assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, complementou, enfatizando que o Estado brasileiro, através desta decisão histórica do STF, envia uma mensagem clara ao mundo de que crimes como o feminicídio político não são toleráveis.

Um marco na luta por justiça e contra a impunidade

A condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes pelo Supremo Tribunal Federal representa um marco inegável na história judicial e política do Brasil. Mais do que a punição individual dos envolvidos, esta decisão simboliza uma vitória crucial na luta contra a impunidade e a violência política, especialmente aquela que visa silenciar vozes femininas e dissidentes. As declarações emocionadas de Anielle Franco, Marinete Silva, Antonio Francisco, Agatha Reis e Fernanda Chaves refletem o peso de quase seis anos de espera, dor e indignação. A reafirmação de que “o feminicídio político não é tolerável”, como destacou Fernanda Chaves, assessora sobrevivente do atentado, ecoa a mensagem de que o Estado brasileiro responde ao mundo uma pergunta que permaneceu sem resposta por quase uma década.

Este julgamento não encerra apenas um processo criminal; ele abre um novo capítulo na discussão sobre a segurança de defensores de direitos humanos e políticos no Brasil. Ele reforça a crença de que, mesmo diante de estruturas de poder complexas e da persistência da violência, a justiça pode, eventualmente, prevalecer. A condenação dos Brazão e demais envolvidos serve como um potente aviso de que crimes dessa natureza terão, cedo ou tarde, suas consequências, reafirmando a importância da vigilância social, da atuação incisiva do sistema de justiça e da memória de Marielle e Anderson como símbolos de uma luta contínua por um país mais justo e igualitário.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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