fevereiro 8, 2026

Acordo Mercosul-UE impulsiona acesso brasileiro a 36% do comércio global

entidade industrial brasileira avalia a formalização do acordo é uma virada estratégica para ...

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) promete transformar significativamente o cenário do comércio exterior brasileiro, expandindo o acesso do país ao mercado de importações mundiais de bens de 8% para impressionantes 36% quando o tratado entrar em vigor. A União Europeia, por si só, representa 28% do comércio global em 2024, evidenciando a magnitude dessa parceria para a economia nacional. A formalização do tratado, celebrada em Assunção, Paraguai, após a assinatura pelos representantes de ambos os blocos, é vista como uma virada estratégica para a indústria nacional, oferecendo novas oportunidades e desafios para o desenvolvimento econômico do Brasil. Este pacto, resultado de mais de 25 anos de intensas negociações, é considerado o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul.

Abertura sem precedentes no comércio global

Redução tarifária e assimetria favorável
O levantamento mais recente sobre o impacto do acordo Mercosul-UE revela que a entrada em vigor do pacto trará uma drástica redução de tarifas para os produtos brasileiros na Europa. Mais de 54,3% dos produtos negociados, o que corresponde a mais de cinco mil itens, terão seu imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo for implementado. Isso representa um acesso privilegiado e imediato para uma vasta gama de mercadorias brasileiras. Com base nos dados de 2024, estima-se que 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco europeu sem a incidência de tarifas de importação desde o início da vigência do tratado.

Em contrapartida, o Brasil, na condição de membro do Mercosul, adotará uma abordagem mais gradual na redução de suas tarifas de importação para produtos europeus. O país terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para diminuir as tarifas de 44,1% dos produtos, abrangendo cerca de 4,4 mil itens. Esse cronograma escalonado assegura uma transição previsível e tempo hábil para a adaptação da indústria nacional. Destaca-se que o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente as tarifas de apenas 15,1% das importações originárias da União Europeia, reforçando uma diferença que se mostra favorável ao país e permite maior competitividade aos produtores locais durante o período de adaptação. Essa assimetria nos prazos e volumes de desgravação tarifária reflete uma estratégia de proteção e estímulo à indústria brasileira.

Um tratado que vai além das tarifas
A formalização do acordo é percebida como um marco estratégico para o setor industrial brasileiro, não apenas pela abertura de mercados e pela redução de barreiras tarifárias, mas também pela incorporação de disciplinas que transcendem a mera negociação de taxas. O tratado inclui disposições que visam aumentar a previsibilidade regulatória, o que é crucial para empresas que buscam segurança jurídica e operacional em suas atividades de comércio exterior. Além disso, a expectativa é de uma significativa redução de custos associados às operações comerciais, impulsionada pela harmonização de normas e pela simplificação de processos burocráticos.

A abrangência do acordo também cria um ambiente mais propício para investimentos, inovação e a tão necessária criação de empregos. Ao estabelecer regras claras e um terreno mais estável para o comércio e a cooperação, o pacto estimula o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e incentiva as empresas brasileiras a investir em modernização e pesquisa. O caráter moderno do tratado, resultado de uma negociação que se estendeu por mais de duas décadas e meia, demonstra um esforço conjunto para alinhar as economias do Mercosul e da UE às exigências do século XXI, promovendo uma integração internacional mais robusta e sustentável para o país no comércio global.

Multiplicidade de impactos econômicos

Estímulo à geração de empregos e à agroindústria
Os benefícios projetados do acordo Mercosul-UE estendem-se à geração de empregos e ao fortalecimento de setores-chave da economia brasileira, como o agroindustrial. Projeções baseadas em dados de 2024 indicam que, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a União Europeia, são criados 21,8 mil empregos, movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e gerados R$ 3,2 bilhões em produção. Esses números sublinham o potencial transformador do acordo na economia interna, fomentando o crescimento e a distribuição de renda através do incremento das exportações.

No setor agroindustrial, o tratado traz resultados particularmente positivos, com a negociação de cotas que favorecem produtos estratégicos. Para a carne bovina, por exemplo, as cotas concedidas superam o dobro das ofertadas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e são mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México, abrindo um vasto mercado para os produtores brasileiros. As cotas para o arroz também superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco europeu, ampliando o potencial de acesso a esse mercado exigente. Tais ganhos representam um impulso significativo para a competitividade do agronegócio nacional e sua capacidade de expansão internacional.

Fomento à cooperação tecnológica e sustentabilidade
Além dos ganhos comerciais diretos, a assinatura do tratado estabelece um ambiente propício para a ampliação de projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica. As novas exigências regulatórias e de mercado europeias funcionam como um catalisador para oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial. Isso inclui áreas como captura, uso e armazenamento de carbono, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, desenvolvimento de motores híbrido-flex e a reciclagem de baterias e minerais críticos.

O acordo também incentiva a produção de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente e menos impactante ao meio ambiente. A articulação dessas frentes fortalece a cooperação tecnológica entre Brasil e UE, acelerando a transição para uma economia de baixo carbono e ampliando a competitividade do Brasil no mercado europeu, que é um polo de inovação e preocupação ambiental. Essa sinergia em P&D representa uma modernização essencial para o parque industrial e agrícola brasileiro, alinhando-o às tendências globais de sustentabilidade.

Complementaridade industrial e fluxo de investimentos
A União Europeia se mantém como o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, foi o destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, equivalente a 14,3% do total exportado pelo país. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, correspondendo a 17,9% do total. A quase totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa foram de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras para a UE foram de bens industriais.

Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia. Essa complementaridade é vital para a modernização do parque industrial brasileiro, aumentando sua competitividade. A UE também se destaca como o principal investidor no Brasil, respondendo em 2023 por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, somando US$ 321,4 bilhões. Curiosamente, o Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia, com o bloco sendo o destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior, demonstrando uma relação econômica profunda e multifacetada.

Próximos passos e desafios da ratificação
A formalização do acordo Mercosul-UE, após a assinatura, ainda requer um processo de ratificação fundamental para sua efetiva entrada em vigor. O texto será submetido à aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada um dos países integrantes do Mercosul. A parte comercial do acordo, que engloba todas as projeções e benefícios econômicos detalhados, depende dessa aprovação legislativa, com a expectativa de uma implementação gradual ao longo dos próximos anos. Essa fase final é crucial e envolve debates políticos e econômicos em ambas as regiões.

A previsão é de que o Brasil tenha, em média, oito anos adicionais para se adaptar integralmente à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu, considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no acordo. Essa janela de adaptação é estratégica para a indústria brasileira se preparar para a nova dinâmica competitiva. O acordo é inegavelmente um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação de sua pauta exportadora e a integração mais profunda do país ao comércio global. Seu sucesso dependerá da agilidade e do consenso nos processos legislativos subsequentes, pavimentando o caminho para uma nova era de prosperidade e cooperação internacional.

Para aprofundar seu entendimento sobre os impactos deste acordo no cenário geopolítico e econômico, acompanhe as próximas análises e debates de especialistas.

Fonte: https://jovempan.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O senador Jader Barbalho recebeu alta médica no domingo (8), após uma internação de quatro dias no Hospital Beneficente Portuguesa…

fevereiro 8, 2026

Neste domingo, os olhos do mundo se voltam para o Super Bowl, a grande final da NFL, que promete não…

fevereiro 8, 2026

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está agendado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do…

fevereiro 8, 2026

Em um domingo marcado por turbulências políticas, Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, apresentou sua renúncia,…

fevereiro 8, 2026

A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) reverberou como um sinal de alerta crucial para…

fevereiro 8, 2026

A decisão sobre como garantir a mobilidade pessoal representa um dos dilemas financeiros mais relevantes na vida moderna para muitos…

fevereiro 8, 2026