abril 9, 2026

A desconstrução de um preconceito: lições de fé na Assembleia de Deus

Luiz Sayão

A Assembleia de Deus, uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, frequentemente se encontra no centro de diversas percepções sociais, algumas delas baseadas em pré-julgamentos e desconhecimento. Histórias de transformação e superação são comuns em suas congregações, mas a jornada de um jovem universitário de elite, cético e academicamente preparado, oferece uma perspectiva particularmente instigante sobre a quebra de paradigmas. Há cerca de quatro décadas, esse cenário se desenhou na vida de um estudante da Universidade de São Paulo (USP), cuja bagagem intelectual parecia impermeável a qualquer forma de fé que ele considerasse ‘simplória’. Seu preconceito contra a Assembleia de Deus era notório, enraizado em uma visão que desvalorizava o que ele via como falta de profundidade teológica e excesso de legalismo. No entanto, um encontro inesperado em um culto mudaria radicalmente sua compreensão e a forma como ele enxergava a espiritualidade e a humildade.

O ceticismo acadêmico e a visão distorcida da fé

Há 40 anos, um jovem estudante da Universidade de São Paulo (USP) personificava uma atitude comum entre intelectuais e acadêmicos: a desconfiança e o preconceito em relação a manifestações de fé consideradas “populares” ou “sem refinamento intelectual”. Mergulhado em estudos aprofundados de hebraico, com proficiência em inglês e aprendendo alemão, ele já se considerava um “teólogo” em formação. Essa bagagem acadêmica, embora valiosa em muitos aspectos, forjou em sua mente uma espécie de prepotência juvenil que o levava a categorizar de forma pejorativa as comunidades evangélicas, especialmente os membros da Assembleia de Deus. Para ele, os assembleianos eram um grupo inculto, desprovido de uma base teológica sólida e excessivamente legalista em suas práticas e costumes. Essa percepção era alimentada não pela experiência direta, mas por estereótipos e uma leitura superficial, filtrada por seu próprio senso de superioridade intelectual.

A barreira do intelecto: preconceito e desconhecimento

A crença de que o conhecimento formal era o único caminho para a compreensão da fé criava uma muralha. O jovem universitário, imerso em textos e análises críticas, julgava-se apto a desqualificar a espiritualidade alheia com base em critérios estritamente acadêmicos. Sua visão era que a verdadeira teologia pertencia aos círculos eruditos, e que a fé praticada nas igrejas de bairro carecia de substância. Essa postura, embora comum em certos ambientes, impedia-o de enxergar a profundidade e a sinceridade que podiam existir para além dos cânones que ele mesmo havia estabelecido. O preconceito, portanto, não era apenas uma opinião, mas um sistema de crenças que o isolava de uma rica dimensão da experiência humana, a da fé simples e fervorosa.

A revelação em um culto assembleiano

Por caminhos que o próprio jovem descreveria como intervenção divina, ele se viu, inesperadamente, em um culto da Assembleia de Deus. A experiência foi, de início, totalmente estranha aos seus padrões. O ambiente era de uma igreja de bairro modesta, com pessoas de aparência simples e vestes que ele considerava peculiares – homens de terno, mulheres com saias e coques nos cabelos. Contudo, em meio a essa paisagem que destoava de seu universo acadêmico, algo começou a chamar sua atenção: a serenidade e a genuína fé expressa por aquelas pessoas, muitas delas, visivelmente, enfrentando dificuldades na vida.

O poder transformador da adoração e da humildade

As orações coletivas, proferidas com fervor e calor, foram uma das primeiras surpresas. Não eram discursos elaborados, mas súplicas e agradecimentos que brotavam do coração. Testemunhos de vida e a leitura de versículos bíblicos completavam um cenário que, aos poucos, começou a abrandar a arrogância latente em seu coração. O ponto de inflexão veio quando o dirigente do culto convidou a congregação a cantar o Hino 126 da Harpa Cristã. Entre ‘aleluias’ e ‘glórias’, a voz uníssona daquele povo entoou a primeira estrofe:

Bem-aventurado o que confia
No Senhor, como fez Abraão
Ele creu, ainda que não via
E, assim, a fé não foi em vão

Ver aquela gente humilde, de semblante sofrido, adorando com tamanha sinceridade, foi um golpe para o jovem. Aquele momento de calor espiritual quebrou suas defesas, fazendo-o corar de vergonha pela sua própria arrogância ali exposta e humilhada. Naquele instante, ele percebeu a dimensão de sua ignorância e a grandiosidade de uma fé que transcendia o intelecto. A cura completa de sua insolência veio com a segunda estrofe, que irrompeu em lágrimas:

Quem quiser de Deus ter a coroa
Passará por mais tribulação
Às alturas santas ninguém voa
Sem as asas da humilhação

As palavras do hino ressoaram profundamente, revelando a ele que a verdadeira ascensão espiritual e a proximidade com o divino não se alcançam através do conhecimento intelectual puro, mas por meio da humildade e da aceitação das provações. A “humilhação”, nesse contexto, era o reconhecimento da própria pequenez e a abertura para uma sabedoria maior, que o Pai lhe ensinava com bondade.

Legado de uma transformação

Aquele dia marcou uma virada profunda na vida do jovem universitário. O hino libertador nunca mais foi esquecido, tornando-se um lembrete constante da lição aprendida. Mesmo anos depois, quando vestígios da antiga arrogância ameaçam ressurgir, ele se recorda e entoa a poderosa mensagem: “Às alturas santas ninguém voa sem as asas da humilhação.” Essa experiência singular serve como um testemunho eloquente de que a verdadeira sabedoria muitas vezes se encontra fora dos círculos acadêmicos e intelectuais, em lugares onde a fé simples e a humildade prevalecem. A Assembleia de Deus, e muitas outras comunidades de fé, continuam a ser espaços de acolhimento e transformação, desafiando preconceitos e oferecendo um caminho para a descoberta de valores espirituais essenciais, independentemente do contexto social ou educacional.

Reflita sobre suas próprias percepções: Que preconceitos você já superou ao se permitir vivenciar realidades diferentes? Compartilhe sua história nos comentários e contribua para uma compreensão mais ampla da fé e da diversidade humana.

Fonte: https://pleno.news

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