maio 12, 2026

Flávio Dino mantém afastamento de vice-prefeito de Macapá

© Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter, por tempo indeterminado, o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos). A medida cautelar, imposta inicialmente em março, decorre de investigações sérias que apontam para suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos públicos na área da saúde municipal. A decisão, proferida de forma monocrática no último sábado (2), reforça o posicionamento do Poder Judiciário na garantia da integridade da administração pública e na proteção do andamento das apurações. O afastamento visa prevenir qualquer interferência nos trabalhos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, que conduzem a Operação Paroxismo.

A decisão do Supremo Tribunal Federal e seus fundamentos

A determinação do ministro Flávio Dino sublinha a gravidade das acusações que pesam sobre Mário Neto. Em seu despacho, Dino apontou que a reintegração do vice-prefeito ao cargo neste momento representaria um risco considerável de comprometimento das investigações em curso. Tal retorno, segundo a análise do ministro, poderia facilitar a interferência direta nas apurações, além de abrir a possibilidade de uso indevido da função pública para obtenção de vantagens ou para obstruir a justiça. A decisão atendeu a um pedido conjunto da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF), órgãos responsáveis por coletar e analisar as evidências que sustentam a Operação Paroxismo.

Justificativa para a prorrogação por tempo indeterminado

A prorrogação do afastamento, sem um prazo definido, é um ponto crucial na decisão do STF. O ministro Flávio Dino enfatizou que a medida permanecerá válida e em vigor até que se dissipem os fatores que originalmente justificaram a imposição da cautelar. Isso significa que o vice-prefeito Mário Neto não poderá retornar ao seu posto enquanto houver qualquer risco de que sua presença no cargo possa prejudicar a coleta de provas, intimidar testemunhas ou interferir de alguma forma nos desdobramentos da investigação. A indefinição do prazo reflete a complexidade e a extensão das apurações, que ainda estão em fase ativa.

Medidas cautelares e outros investigados

Além do vice-prefeito Mário Neto, a decisão do STF também estende o afastamento a outras duas figuras-chave da administração municipal de Macapá. A secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, e o presidente da comissão de licitação, Walmiglisson Ribeiro, permanecem impedidos de exercer suas funções públicas. A manutenção dessas restrições visa assegurar que nenhum dos envolvidos nas suspeitas de fraude e desvio possa influenciar ou ter acesso a informações sensíveis relacionadas aos ilícitos investigados, garantindo a lisura do processo investigativo.

Restrições impostas e consequências do descumprimento

Os investigados, incluindo Mário Neto, Érica Aymoré e Walmiglisson Ribeiro, estão sujeitos a rigorosas proibições. Eles estão expressamente impedidos de acessar prédios públicos da prefeitura de Macapá e de utilizar quaisquer sistemas da administração municipal. Essa medida é fundamental para evitar a destruição de provas, a alteração de registros ou qualquer tipo de manipulação que possa comprometer a integridade da investigação. O ministro Flávio Dino foi enfático ao alertar que o descumprimento dessas medidas cautelares resultará na adoção de novas e mais severas restrições, podendo, inclusive, culminar na decretação de prisão preventiva dos envolvidos, em um claro sinal de que a justiça não tolerará obstruções.

A Operação Paroxismo: detalhes e escopo da investigação

Mário Neto está afastado de suas funções desde o início de março deste ano, quando foi deflagrada a segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal. Esta complexa investigação tem como objetivo desbaratar um suposto esquema de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com foco principal na área da saúde de Macapá. Os indícios coletados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República apontam para uma teia de irregularidades que se estende por diversos contratos e projetos municipais, comprometendo seriamente a gestão dos serviços essenciais à população.

Provas e elementos considerados na decisão

Na base da decisão do ministro Flávio Dino, estão diversos elementos de prova considerados robustos pela investigação. Entre eles, destacam-se pagamentos classificados como “atípicos”, que totalizam cerca de R$ 3,3 milhões. Esses valores foram supostamente repassados a empresas após o afastamento inicial da cúpula da prefeitura, levantando suspeitas sobre a continuidade de práticas ilícitas mesmo com as intervenções judiciais. Além disso, a investigação apurou relatos de retirada de equipamentos de unidades públicas, dificuldades impostas ao acesso a documentos cruciais e alterações administrativas que teriam sido implementadas de forma a prejudicar a gestão interina. Tais ações são interpretadas como tentativas de apagar rastros e dificultar a ação da justiça.

O foco no Hospital Geral Municipal e desvio de emendas

Um dos pilares da Operação Paroxismo é a apuração de irregularidades na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, uma obra de grande porte orçada em aproximadamente R$ 70 milhões. A Polícia Federal investiga minuciosamente se os contratos vinculados a essa construção foram manipulados para favorecer empresas específicas, gerando enriquecimento ilícito tanto para agentes públicos quanto para empresários. Adicionalmente, há uma linha de investigação dedicada a verificar o possível desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao município entre os anos de 2020 e 2024. Esses fundos, essenciais para o desenvolvimento local, teriam sido supostamente desviados de sua finalidade original, configurando um grave atentado contra o erário público e a confiança dos cidadãos.

Contexto político e suas ramificações em Macapá

O afastamento de Mário Neto, que se prolonga desde o início de março com a segunda fase da Operação Paroxismo, insere-se em um cenário político conturbado em Macapá. Na mesma ocasião, o ministro Flávio Dino também determinou o afastamento do então prefeito da cidade, Antônio Furlan. Após a medida judicial, Furlan optou por renunciar ao cargo de prefeito. A renúncia, conforme a legislação eleitoral brasileira, é uma exigência constitucional para que chefes do executivo possam concorrer a outros cargos eletivos, como, no caso de Furlan, a disputa pelo governo do Amapá nas eleições deste ano.

Vacância e administração interina

A saída simultânea do prefeito e do vice-prefeito gerou uma situação de vacância nos mais altos postos da administração municipal de Macapá. Conforme as normas legais e constitucionais, a administração municipal foi então assumida, em caráter interino, pelo presidente da Câmara de Vereadores. Este arranjo, embora previsto em lei, representa um desafio considerável para a governabilidade e a continuidade dos serviços públicos, especialmente em um contexto de sérias investigações sobre corrupção. A instabilidade política gerada pela Operação Paroxismo e pelas decisões do STF ressalta a importância de um processo transparente e célere para que Macapá possa retomar a plenitude de sua gestão administrativa.

Conclusão

A manutenção do afastamento do vice-prefeito Mário Neto pelo ministro Flávio Dino no STF reitera o compromisso do Poder Judiciário com a transparência e a integridade da gestão pública. As investigações da Operação Paroxismo revelam um quadro preocupante de supostas fraudes em licitações e desvio de recursos da saúde, afetando diretamente a população de Macapá. A medida cautelar, sem prazo definido, sublinha a seriedade dos indícios e a necessidade de proteger o processo investigativo de qualquer interferência. O desdobramento deste caso terá implicações significativas para a política local e para a confiança na administração pública.

Acompanhe as atualizações e aprofundamentos sobre a Operação Paroxismo e seus impactos na política e na gestão pública de Macapá.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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