março 17, 2026

México precisa intensificar esforços Após morte de ‘El Mencho’, diz Trump

G1

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, o narcotraficante mais procurado do México e um dos líderes criminosos mais visados globalmente, reacendeu o debate sobre a segurança e a luta contra os cartéis de drogas no país. O anúncio de sua eliminação em uma operação militar mexicana provocou uma imediata e violenta reação em diversas regiões do México, colocando o governo em alerta máximo. Em meio a este cenário turbulento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfatizou a necessidade de o México intensificar seus esforços no combate aos cartéis de drogas. A declaração sublinha a pressão internacional e a complexidade dos desafios enfrentados pela administração da presidente Claudia Sheinbaum.

A operação que culminou na morte de ‘El Mencho’

A operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o temido “El Mencho”, foi um marco significativo na incessante batalha do México contra o crime organizado. Detalhes revelados pelo governo mexicano indicam que a ação foi conduzida exclusivamente por forças especiais do país, embora com a valiosa colaboração de informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos. A incursão ocorreu ao amanhecer de domingo, na cidade de Tapalpa, localizada no estado de Jalisco, reduto e principal área de atuação do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), liderado por “El Mencho”.

Durante o confronto, oito criminosos foram mortos e, infelizmente, três membros do exército mexicano ficaram feridos, sendo prontamente transferidos para hospitais na Cidade do México. “El Mencho” sofreu ferimentos graves durante a operação e não resistiu enquanto estava sendo transportado de avião para a capital, conforme nota oficial do Ministério da Defesa mexicano. A operação não apenas desarticulou uma parte vital da liderança do cartel, mas também permitiu a apreensão de um arsenal considerável, incluindo veículos blindados e armas de alto poder de fogo, como lançadores de foguetes, evidenciando a capacidade bélica e o nível de organização do CJNG. A localização do paradeiro de “El Mencho” foi crucial e, segundo as autoridades, facilitada após a vigilância da visita de sua namorada, um detalhe que se provou decisivo para o sucesso da complexa missão.

Quem era ‘El Mencho’ e a ascensão do CJNG

Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, era uma figura emblemática do submundo do crime organizado mexicano. Ex-policial, ele ascendeu rapidamente para se tornar o líder inconteste do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais brutais e influentes do México e do mundo. Sua trajetória foi marcada por uma violência extrema e uma capacidade notável de expandir os negócios do cartel. O governo dos EUA oferecia uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura, um testemunho do perigo e da influência que ele representava.

Sob seu comando, o CJNG expandiu-se vertiginosamente na última década, diversificando suas atividades criminosas. Além da produção e distribuição de drogas, o cartel se dedicava à extorsão de empresas locais, lavagem de dinheiro e uma série de outras atividades ilícitas. O grupo ganhou notoriedade por seus ataques audaciosos e bem coordenados contra as forças de segurança mexicanas, utilizando táticas de guerra para confrontar o Estado. A propagação do medo e da violência por El Mencho e seus subordinados afetou comunidades em diversas regiões do país. Em poucos anos, o CJNG ampliou sua atuação internacionalmente, estabelecendo-se como um rival direto do outrora dominante Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín “El Chapo” Guzmán, que atualmente cumpre pena nos Estados Unidos. A morte de “El Mencho” representa o fim de uma era para o CJNG, mas levanta questões sobre a futura liderança e a potencial reestruturação da organização.

Onda de violência e reações diplomáticas

A notícia da morte de “El Mencho” deflagrou uma onda de violência sem precedentes em várias partes do México. Em resposta à eliminação de seu líder, membros do CJNG orquestraram uma série de ataques e bloqueios que paralisaram cidades e geraram pânico entre a população. Foram registrados 229 bloqueios e incêndios de veículos em estradas, principalmente no estado de Jalisco, mas também em locais como o balneário de Puerto Vallarta, no estado vizinho de Michoacán, e em Puebla, Sinaloa, Guanajuato e Guerrero. Estabelecimentos comerciais foram incendiados, e a interrupção das vias impactou diretamente a rotina de milhões de mexicanos e turistas, levando ao cancelamento de dezenas de voos de companhias aéreas dos Estados Unidos e do Canadá.

A escala da violência se manifestou em números alarmantes: 25 membros da Guarda Nacional mexicana perderam a vida em seis ataques distintos após a operação contra “El Mencho”. As autoridades mexicanas responderam com uma força-tarefa que resultou na prisão de 70 pessoas em sete estados do país, em meio à onda de confrontos e distúrbios. Escolas foram fechadas em pelo menos oito estados, e o Poder Judiciário autorizou que os tribunais permanecessem fechados se necessário, priorizando a segurança pública. O México permaneceu em estado de alerta, enquanto a comunidade internacional observava com preocupação os desdobramentos.

Resposta mexicana e alerta internacional

Diante da explosão de violência, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, fez um apelo à calma, garantindo que “há total coordenação com os governos de todos os estados” e que o país estava empenhado em restaurar a paz e a segurança. Em sua coletiva diária, a presidente expressou confiança de que os bloqueios nas estradas seriam removidos e que os voos para Puerto Vallarta seriam retomados em breve. Ela também fez um reconhecimento público ao Exército Mexicano, à Guarda Nacional e às Forças Armadas, destacando o trabalho conjunto do Gabinete de Segurança. Sheinbaum enfatizou que a operação que eliminou “El Mencho” foi realizada totalmente por forças mexicanas, com apoio de informações dos EUA, ressaltando a soberania e a capacidade nacional na luta contra o crime organizado.

Em um esforço para desmantelar as estruturas financeiras dos cartéis, a presidente anunciou a criação de um grupo de trabalho focado na investigação de lavagem de dinheiro. O Ministro da Defesa do México, Ricardo Trevilla Trejo, e o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, reforçaram o monitoramento de perto de “qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel que possa levar à violência”. Do lado internacional, o governo dos EUA comemorou a morte de “El Mencho”. Christopher Landau, subsecretário de Estado, classificou a ação como um “grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo”, embora tenha expressado tristeza pela violência subsequente. O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta para seus cidadãos, recomendando que permanecessem abrigados nos estados mais afetados. A Embaixada do México em Washington confirmou a cooperação bilateral, afirmando que informações complementares foram fornecidas pelas autoridades americanas, sublinhando a importância da coordenação na complexa rede de combate ao narcotráfico.

Cenário pós-operação e os desafios para o México

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, embora represente uma vitória significativa na guerra contra o narcotráfico, também expõe a fragilidade e os desafios contínuos que o México enfrenta. A onda de violência que se seguiu à operação é um lembrete vívido da resiliência e da brutalidade dos cartéis de drogas, que não hesitam em desestabilizar regiões inteiras em retaliação. Para a administração de Claudia Sheinbaum, a tarefa de pacificar o país e desmantelar o poder dos cartéis permanece uma prioridade máxima e complexa.

A necessidade de uma vigilância constante sobre as possíveis reestruturações do CJNG e de outros grupos criminosos é imperativa. A investigação da lavagem de dinheiro, como anunciado, é uma estratégia crucial para sufocar financeiramente essas organizações, atingindo-as em um de seus pilares mais importantes. A pressão do presidente Donald Trump para que o México intensifique seus esforços sublinha a dimensão transnacional do problema e a expectativa de colaboração contínua entre os dois países. Contudo, a ênfase da presidente Sheinbaum na atuação exclusiva das forças mexicanas, com apoio de inteligência, reflete uma busca por protagonismo e soberania nas ações de segurança interna. O futuro da segurança no México dependerá de uma combinação de estratégias militares, investigativas e sociais, bem como de uma cooperação internacional eficaz e respeitosa, para mitigar o impacto duradouro do crime organizado e restaurar a paz para sua população.

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Fonte: https://g1.globo.com

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