fevereiro 8, 2026

Pancreatite e as canetas emagrecedoras: entenda o risco

Ozempic, Monjauro e Wegovy

O uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos baseados nos análogos de GLP-1 e/ou GIP, como a semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), tem sido objeto de um importante alerta por parte de agências reguladoras de saúde. Recentemente, um regulador de saúde do Reino Unido chamou a atenção para um risco raro, porém grave, de pancreatite aguda em pacientes que fazem uso dessas medicações. Embora essas tecnologias farmacológicas sejam reconhecidas por sua eficácia no tratamento de condições como diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso com comorbidades, é crucial que usuários e profissionais de saúde estejam cientes dos potenciais efeitos adversos. A preocupação se intensifica diante da popularização desses medicamentos, muitas vezes utilizados para fins estéticos, sem a devida indicação clínica e supervisão médica. Compreender os sintomas, os fatores de risco e as recomendações de especialistas é fundamental para garantir a segurança dos pacientes e o uso responsável dessas ferramentas terapêuticas.

Alerta sobre o risco de pancreatite aguda

O regulador de saúde britânico emitiu um comunicado formal advertindo sobre a possibilidade de pancreatite aguda em indivíduos que utilizam análogos de GLP-1 e/ou GIP. Essa condição, caracterizada pela inflamação súbita do pâncreas, já é um efeito colateral conhecido, embora considerado infrequente, para essa classe de medicamentos. A gravidade da pancreatite aguda pode variar, mas, em cenários extremamente raros, as complicações podem ser severas, incluindo pancreatite necrosante — onde parte do tecido pancreático morre — e até mesmo desfechos fatais.

Os perigos e a dificuldade de diagnóstico

Os sintomas da pancreatite aguda podem ser desafiadores de identificar em seus estágios iniciais, o que complica o diagnóstico precoce e a intervenção. O principal sinal de alerta é uma dor abdominal intensa e persistente, que frequentemente se irradia para as costas e pode vir acompanhada de náuseas e vômitos. A agência reguladora ressalta que esses primeiros sintomas podem ser erroneamente atribuídos a outras causas, como efeitos colaterais gastrointestinais comuns do tratamento com os análogos de GLP-1/GIP ou até mesmo infecções virais ou bacterianas. Essa semelhança inicial com condições menos graves pode atrasar a procura por atendimento médico e, consequentemente, o diagnóstico correto, aumentando o risco de complicações. Dada a gravidade potencial da pancreatite aguda, qualquer pessoa que esteja em tratamento com essas medicações e apresente os sintomas descritos deve procurar atendimento médico de urgência. Em caso de suspeita clínica, a interrupção imediata do medicamento é uma medida recomendada, sempre sob orientação e supervisão de um profissional de saúde.

A popularização e o uso adequado das medicações

Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, embora popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, possuem indicações clínicas específicas e autorizadas. Suas aplicações abrangem o tratamento da diabetes tipo 2, da obesidade e do sobrepeso que está associado a outras comorbidades, como hipertensão ou dislipidemia. Para essas indicações, os medicamentos são reconhecidos por sua segurança e eficácia, conforme demonstrado em estudos clínicos robustos. Contudo, é fundamental ressaltar que, como qualquer medicamento, eles não estão isentos de riscos e efeitos colaterais, mesmo que raros.

Indicações e considerações para pacientes

A popularidade desses fármacos transcendeu suas indicações originais, levando a um uso disseminado para fins estéticos de perda de peso, muitas vezes sem a devida avaliação e prescrição médica. O endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e diretor do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), adverte contra essa prática, enfatizando que, apesar de serem medicamentos “bons”, eles possuem um perfil de risco-benefício que precisa ser cuidadosamente ponderado. Casos de efeitos colaterais raros e graves, que nem sempre são plenamente conhecidos, podem surgir. Diante disso, o uso dessas medicações deve ser estritamente feito sob prescrição médica e com uma indicação clínica clara, garantindo que os benefícios superem os riscos potenciais para o paciente.

A magnitude do uso dessas medicações e a ocorrência de efeitos adversos são dados que reforçam a necessidade de vigilância. No Reino Unido, entre 2007 e o período mais recente de análise, o regulador de saúde britânico registrou 1.296 notificações de pancreatite associada a esses medicamentos. Desses, 19 casos foram fatais e 24 foram classificados como pancreatite necrosante, uma forma particularmente grave da doença. A dimensão do uso também é relevante: uma pesquisa divulgada pela University College London (UCL) aponta que, entre o início de 2024 e o início de 2025, aproximadamente 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia utilizaram semaglutida e tirzepatida com o objetivo de perda de peso. Esses números sublinham a importância de informar e educar tanto pacientes quanto profissionais de saúde sobre os riscos associados.

O que dizem os especialistas e a ciência

A relação entre os análogos de GLP-1/GIP e a pancreatite aguda tem sido um tema de debate na comunidade médica desde o lançamento da primeira molécula dessa classe de medicamentos, há cerca de duas décadas. O endocrinologista Bruno Halpern reforça que este é um efeito colateral conhecido há bastante tempo, mas consistentemente classificado como extremamente raro. A discussão científica ao longo dos anos tem focado em determinar se o risco de pancreatite é realmente aumentado pela medicação em si, ou se ele está mais ligado a condições preexistentes dos pacientes.

Discussões sobre causalidade e histórico de saúde

Pacientes com diabetes e obesidade, as principais indicações para o uso desses medicamentos, já possuem um risco naturalmente elevado de desenvolver pancreatite. Assim, ainda há incerteza sobre a clareza da relação causal direta entre o medicamento e a condição. Halpern aponta para uma hipótese indireta e conhecida: a perda significativa de peso, que é um efeito facilitado e mais frequente com o uso dessas medicações, pode levar à formação de cálculos na vesícula biliar. Esses cálculos, por sua vez, podem migrar e obstruir os ductos biliares e pancreáticos, desencadeando um quadro de pancreatite.

Para pacientes com histórico de pancreatite, a decisão de iniciar o tratamento com análogos de GLP-1/GIP torna-se ainda mais complexa e requer uma análise individualizada. Segundo o especialista, a viabilidade do uso depende diretamente da causa original da doença. Se a pancreatite foi causada por cálculos na vesícula biliar e esta já foi removida cirurgicamente, o risco de uma nova ocorrência induzida pelos medicamentos pode ser menor. Da mesma forma, se a causa foi triglicerídeos elevados, esses medicamentos podem até ser benéficos, pois ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos. No entanto, em casos de pancreatite de causa desconhecida, a cautela deve ser significativamente maior, podendo, inclusive, contraindicar o uso de semaglutida ou tirzepatida. Halpern acrescenta uma informação crucial: pessoas com histórico de pancreatite foram frequentemente excluídas dos estudos clínicos desses medicamentos, resultando em pouca evidência sobre a segurança ou o risco de uma nova pancreatite nesse grupo específico. Essa lacuna de dados reforça a necessidade de extremo cuidado e avaliação médica criteriosa para esses pacientes.

Orientações e recomendações

A utilização de medicamentos como as “canetas emagrecedoras” representa um avanço importante no tratamento de doenças metabólicas, mas exige responsabilidade e conhecimento por parte de pacientes e profissionais de saúde. A vigilância é a palavra-chave.

Quando procurar ajuda e a importância da supervisão médica

Pacientes em uso de semaglutida e tirzepatida devem estar especialmente atentos aos sintomas de pancreatite grave, como dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Ao notar qualquer um desses sinais, a procura por atendimento médico urgente é imprescindível. Se houver suspeita de pancreatite, a medicação deve ser suspensa imediatamente, sempre sob orientação profissional.

É fundamental que esses medicamentos sejam utilizados exclusivamente sob prescrição e supervisão médica, e somente quando houver uma indicação clínica clara. A automedicação ou o uso para fins não autorizados podem expor os indivíduos a riscos desnecessários, especialmente considerando que nem todos os efeitos colaterais raros são completamente conhecidos. A decisão de iniciar ou continuar o tratamento deve ser fruto de uma discussão informada entre paciente e médico, ponderando os benefícios terapêuticos frente aos riscos potenciais, e levando em conta o histórico de saúde individual.

Para mais informações sobre o uso seguro de medicamentos e para avaliar se as chamadas “canetas emagrecedoras” são adequadas para o seu caso, consulte sempre um médico ou profissional de saúde qualificado.

Fonte: https://jovempan.com.br

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