fevereiro 9, 2026

Angelo Coronel anuncia saída do PSD após conflito na Bahia

Pedro Vilas Boas

O cenário político baiano testemunha uma reviravolta significativa com o anúncio do senador Angelo Coronel sobre sua iminente saída do Partido Social Democrático (PSD). A decisão, comunicada neste sábado (31), é o desfecho de um intenso conflito com o Partido dos Trabalhadores (PT) em torno das duas vagas para o Senado nas eleições deste ano. Angelo Coronel, figura conhecida e com décadas de atuação na política estadual, expressou profundo desapontamento ao se sentir “rifado” pelos antigos aliados. Sua partida não apenas reconfigura a paisagem partidária, mas também acende o alerta para novas articulações e o potencial realinhamento de forças em um dos estados mais estratégicos do Nordeste brasileiro. A movimentação promete impactar diretamente as futuras composições eleitorais.

O estopim da ruptura: A disputa pelas vagas no Senado

A articulação do PT e o “rifamento” político

A decisão do senador Angelo Coronel de deixar o PSD não surgiu do acaso, mas de uma profunda insatisfação com as articulações políticas que culminaram na definição das candidaturas ao Senado na Bahia. O pano de fundo dessa ruptura é a disputa acirrada pelas duas cobiçadas vagas que representarão o estado na Câmara Alta do Congresso Nacional. Segundo Coronel, o Partido dos Trabalhadores (PT), aliado histórico do PSD no estado e figura central da política baiana, orquestrou uma manobra que o deixou de fora da chapa majoritária, frustrando suas aspirações de reeleição.

Os protagonistas dessa articulação, conforme o relato do senador baiano, foram o senador Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Ambos, figuras proeminentes do PT baiano e nacional, foram reconhecidos internamente como os pré-candidatos oficiais da legenda às cadeiras senatoriais. Essa movimentação, embora esperada por alguns analistas devido à força política do PT na Bahia e sua busca por consolidar a hegemonia partidária, pegou Coronel de surpresa e o fez sentir-se preterido. O termo “rifado”, utilizado por ele, ilustra a percepção de ter sido descartado em favor de uma “chapa puro-sangue” petista, ignorando sua trajetória e seu desejo de buscar a reeleição. A exclusão de um aliado de peso como Coronel não apenas demonstra a prioridade do PT em fortalecer sua própria bancada, mas também expõe as fissuras nas alianças que pareciam sólidas até então, redefinindo as estratégias para as próximas eleições e intensificando o jogo político estadual.

O descontentamento e o destino de Angelo Coronel

Sentimentos e motivações para a mudança partidária

A saída de Angelo Coronel do PSD carrega um peso emocional considerável, além das implicações políticas. O senador revelou estar de “coração partido” com a decisão, um sentimento que reflete a longa e profunda amizade que mantém com o senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia. Essa relação, construída ao longo de décadas de articulações e colaborações políticas em momentos cruciais da história recente do estado, tornou a ruptura ainda mais dolorosa para Coronel. Para ele, a ação do PT, em conjunto com o que percebeu como inação ou concordância de seu então partido, representou uma traição à lealdade e ao trabalho conjunto. A motivação para a mudança, portanto, transcende a mera busca por uma legenda que lhe garanta espaço na disputa eleitoral; é também uma resposta à frustração de ver seus planos e seu histórico político desconsiderados dentro de sua própria base aliada, evidenciando a primazia dos interesses partidários sobre as relações pessoais em alguns momentos da política. A busca por uma nova sigla é, consequentemente, uma busca por um ambiente político onde seu projeto de reeleição seja valorizado e onde ele encontre o apoio necessário para continuar sua atuação parlamentar, garantindo a representatividade de sua base eleitoral.

União Brasil: Novo horizonte para o senador?

Entre as opções que Angelo Coronel avalia para sua filiação, o União Brasil desponta como um dos partidos mais prováveis e estrategicamente relevantes. As negociações, apuradas nos bastidores políticos, indicam um avanço significativo em direção a essa legenda, que na Bahia é liderada por Antônio Carlos Magalhães Neto, o popular ACM Neto. Ex-prefeito de Salvador e figura central da oposição ao governo estadual do PT, ACM Neto é pré-candidato ao governo da Bahia, o que confere uma dimensão ainda mais estratégica à possível adesão de Coronel ao partido.

A chegada de Coronel ao União Brasil representaria um movimento de xadrez político de grande impacto no tabuleiro eleitoral baiano. Primeiramente, reforçaria significativamente a chapa de ACM Neto, trazendo consigo a experiência parlamentar de Coronel, seu capital político e uma base eleitoral consolidada, especialmente em regiões do interior do estado onde o senador possui forte penetração. Em segundo lugar, simbolizaria uma migração de um quadro que historicamente esteve alinhado à base governista (PT e PSD) para o campo da oposição, consolidando uma frente mais ampla contra a hegemonia petista no estado. Essa mudança de lado pode atrair votos e apoio de setores insatisfeitos com as atuais alianças e abrir novas perspectivas para a campanha de ACM Neto, que busca angariar apoios diversos para seu projeto. A entrada de Coronel no União Brasil não é apenas uma questão de realocação partidária; é uma peça-chave que pode alterar significativamente o equilíbrio de forças na corrida eleitoral baiana, injetando dinamismo e imprevisibilidade no cenário político estadual e tornando a disputa ainda mais acirrada.

Implicações políticas e o cenário eleitoral baiano

O impacto no PSD e na base aliada governista

A saída de Angelo Coronel do PSD não é um evento isolado; ela reverberará em todo o espectro político baiano, especialmente dentro do próprio Partido Social Democrático e na base aliada do governo estadual, historicamente liderada pelo PT. Para o PSD, a perda de um senador de mandato e com base eleitoral consolidada representa um desfalque significativo, tanto em termos de representatividade quanto de capacidade de articulação. Embora o partido mantenha outras lideranças expressivas, como o próprio senador Otto Alencar, a saída de Coronel pode expor fragilidades internas e aprofundar discussões sobre a autonomia do PSD dentro da aliança com o PT, questionando a forma como os espaços são distribuídos e as decisões são tomadas. A imagem de um partido que “rifa” seus próprios membros em favor de aliados pode gerar descontentamento entre outros quadros e lideranças locais, podendo provocar novas dissidências ou realinhamentos futuros em um cenário já complexo.

Além disso, a movimentação de Coronel altera a dinâmica da base aliada governista. A chapa puro-sangue do PT para o Senado, com Jaques Wagner e Rui Costa, ganha contornos mais definidos, mas perde a diversidade e a força de agregação que um nome como o de Coronel poderia trazer. A decisão do PT de priorizar seus quadros, embora compreensível sob a ótica partidária de fortalecimento interno, tem o custo de descontentar aliados e potencializar a oposição, gerando um efeito dominó de realinhamentos. O embate interno demonstra a complexidade das negociações pré-eleitorais e a dificuldade de conciliar os interesses de diferentes partidos e lideranças, mesmo dentro de uma mesma base política que busca a coesão para enfrentar as urnas.

Estratégias para as eleições e a busca por reeleição

Com a decisão de deixar o PSD, Angelo Coronel demonstra uma clara e intransigente determinação em buscar sua reeleição ao Senado. Essa movimentação o coloca em uma nova posição estratégica, agora possivelmente no campo da oposição ao PT na Bahia. Ao se filiar ao União Brasil, Coronel se alinha a ACM Neto, o principal adversário do PT na disputa pelo governo do estado, formando uma frente que promete ser um contraponto robusto à atual gestão. Essa aliança não apenas oferece a ele uma plataforma para sua campanha, mas também o insere em um projeto político com alto potencial de competitividade, dado o histórico de ACM Neto e sua popularidade na capital e em parte do interior.

A estratégia de Coronel será, provavelmente, capitalizar sobre o descontentamento com as articulações do PT e apresentar-se como uma alternativa para eleitores que buscam uma renovação ou um contraponto à hegemonia petista. Sua experiência parlamentar, o conhecimento da máquina pública e a base eleitoral construída ao longo dos anos, somados à estrutura e visibilidade do União Brasil e à campanha de ACM Neto, serão ativos importantes nessa nova fase. A corrida pelas duas vagas no Senado, que já se mostrava intensa, ganha agora um novo capítulo com a entrada de Coronel em um partido de oposição, prometendo um embate ainda mais polarizado e imprevisível. A capacidade de Coronel em consolidar seu apoio e de seu novo partido em fortalecer sua candidatura será crucial para determinar o sucesso de sua empreitada em um cenário político baiano que se mostra cada vez mais fragmentado, dinâmico e propenso a reviravoltas.

Conclusão

A saída do senador Angelo Coronel do PSD representa mais que uma simples mudança partidária; é um sismógrafo das complexas relações e disputas por poder no cenário político baiano. Este movimento, impulsionado pela frustração com as articulações do PT em relação às vagas no Senado, evidencia as fissuras dentro de alianças historicamente consolidadas e a ferocidade da corrida eleitoral. A possível filiação de Coronel ao União Brasil, unindo-se à campanha de ACM Neto, redefine as forças em campo, fortalecendo a oposição e injetando um novo grau de imprevisibilidade na disputa pelo governo e pelas cadeiras senatoriais. O episódio não apenas reconfigura a paisagem política, mas também serve como um alerta sobre a fluidez das alianças e a primazia dos interesses eleitorais individuais e partidários em meio a um ano crucial para a política brasileira. Os próximos meses serão determinantes para observar como essas novas articulações se solidificam e impactam o eleitorado baiano, moldando o futuro do estado.

Mantenha-se informado sobre os próximos passos dessa intrincada disputa política na Bahia. Acompanhe nossas análises e atualizações sobre as eleições e as movimentações partidárias para entender os desdobramentos desse cenário dinâmico.

Fonte: https://jovempan.com.br

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