fevereiro 9, 2026

IGP-M: Inflação do aluguel sobe 0,41% em janeiro de 2026

Inflação do aluguel sobe 0,41% no começo de 2026

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente reconhecido como a “inflação do aluguel” no Brasil, registrou um início de ano com alta de 0,41% em janeiro de 2026. Este resultado marca um retorno ao campo positivo para o indicador, após ter apresentado uma leve queda de 0,01% no mês de dezembro do ano anterior. A variação positiva, embora modesta, sinaliza uma mudança na dinâmica dos preços que compõem o índice, com repercussões diretas e indiretas para o mercado imobiliário e a economia em geral. Os dados, coletados entre 21 de dezembro de 2025 e 20 de janeiro de 2026 em diversas capitais brasileiras, revelam a complexidade das pressões inflacionárias que afetam produtores e consumidores, consolidando a importância do IGP-M como termômetro da atividade econômica.

A reversão do IGP-M e seu impacto no cenário econômico

O retorno ao campo positivo após a deflação de dezembro

O levantamento mais recente do IGP-M indica uma inversão na tendência que havia prevalecido no final do ano anterior. A alta de 0,41% em janeiro de 2026 interrompe a sequência de deflação observada em dezembro, quando o índice recuou 0,01%. Esta mudança, embora pareça pequena, é significativa, pois reflete um aquecimento em diversos setores da economia que compõem o indicador. O IGP-M é um dos índices de preços mais abrangentes e, por essa razão, seu resultado mensal é acompanhado de perto por analistas econômicos, empresários e, principalmente, por milhões de brasileiros impactados pelos reajustes de aluguéis e outras tarifas. A retomada da alta em janeiro sugere que as pressões de custo, que haviam arrefecido ligeiramente, voltaram a se manifestar, impulsionadas por diferentes componentes da cesta de produtos e serviços.

A trajetória do indicador no acumulado de 12 meses e suas diferenças anuais

Apesar do aumento mensal, a análise do IGP-M em um horizonte mais amplo revela uma dinâmica distinta. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador registra uma retração de 0,91%. Este é o terceiro mês consecutivo em que o índice acumulado em um ano apresenta queda, configurando um cenário de desinflação ou mesmo deflação em contratos que utilizam o índice para reajustes anuais. Para contextualizar, em janeiro de 2025, o IGP-M havia subido 0,27% no mês, e seu acumulado em 12 meses atingia expressivos 6,75%. A comparação entre os dois períodos demonstra uma notável desaceleração da inflação medida pelo IGP-M ao longo do último ano, o que tem implicações importantes para o poder de compra das famílias e para o planejamento financeiro de empresas. Esta retração acumulada, no entanto, não significa necessariamente uma queda direta nos valores dos aluguéis, dada a complexidade das cláusulas contratuais, como será detalhado adiante.

Os pilares da inflação: Análise detalhada dos componentes do IGP-M

A influência do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)

A maior parcela do IGP-M é determinada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% de sua composição total. O IPA, que mede a variação dos preços de produtos no atacado, antes de chegarem ao consumidor final, subiu 0,34% em janeiro. Essa alta foi puxada por itens essenciais para a indústria e o agronegócio. Entre os destaques, o minério de ferro registrou um aumento de 4,47%, refletindo as demandas do setor industrial e o comportamento dos mercados internacionais. A carne bovina, um dos principais alimentos da mesa brasileira, teve alta de 1,37%, influenciada por fatores como custo de produção e exportações. Por fim, o tomate apresentou uma elevação impressionante de 29,5%, evidenciando a volatilidade de produtos agrícolas sujeitos a condições climáticas e sazonais. O comportamento do IPA é crucial, pois as pressões de custo sentidas pelos produtores tendem a ser repassadas, em diferentes graus, para os preços ao consumidor final.

A percepção do consumidor pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC)

Com um peso de 30% no cálculo do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) capta a variação de preços percebida diretamente pelas famílias brasileiras. Em janeiro, o IPC registrou uma alta de 0,51%, superando o aumento do IPA e indicando que os custos de vida continuam a pressionar o orçamento doméstico. As maiores pressões inflacionárias sobre o bolso das famílias vieram de setores importantes. O curso de ensino fundamental subiu 3,83%, enquanto o curso de ensino superior teve um aumento de 3,13%, ambos impactando diretamente as despesas com educação. A gasolina, item de grande peso na cesta de consumo, encareceu 1,02%, refletindo a dinâmica dos preços dos combustíveis. A coleta desses dados é realizada em sete capitais: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, garantindo uma abrangência geográfica representativa do consumo nacional. O período de coleta, de 21 de dezembro de 2025 a 20 de janeiro de 2026, abarca o final do período de festas e o início do ano letivo.

O custo da construção civil e o INCC

O terceiro componente do IGP-M é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% do indicador total. Em janeiro, o INCC registrou uma variação de 0,63%. Dentro desse índice, que monitora a evolução dos custos do setor de construção civil, foram observadas diferentes dinâmicas. O segmento de materiais, equipamentos e serviços teve uma elevação de 0,34%, indicando que insumos e serviços essenciais para as obras continuam a apresentar reajustes. Já o custo da mão de obra na construção civil mostrou um aumento mais acentuado, de 1,03%, refletindo, provavelmente, dissídios salariais ou maior demanda por profissionais qualificados no setor. A estabilidade ou variação do INCC é um indicativo importante para o mercado imobiliário, influenciando tanto os custos de novas construções quanto o valor de venda de imóveis e, indiretamente, o mercado de aluguéis.

As nuances do reajuste de aluguéis e a dinâmica contratual

Apesar de ser popularmente conhecido como a “inflação do aluguel”, a dinâmica de reajuste dos contratos imobiliários com base no IGP-M apresenta particularidades que merecem atenção. Mesmo com o acumulado negativo de 0,91% em 12 meses, não há certeza de que os aluguéis serão reajustados para baixo. Essa aparente contradição reside na formulação de muitos contratos de locação. É comum que alguns acordos incluam a cláusula “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”. Na prática, isso significa que o aluguel só será corrigido se o índice acumulado apresentar um valor positivo. Caso o IGP-M acumulado em 12 meses seja negativo, como ocorreu em janeiro de 2026, o valor do aluguel é mantido, sem redução.

Essa especificidade contratual, embora legal, frequentemente gera debates sobre a equidade do reajuste, uma vez que protege o proprietário de perdas em momentos de deflação, mas não concede o mesmo benefício ao inquilino em cenários de queda do índice. Além do uso em contratos de aluguel, o IGP-M serve como indexador para o reajuste de diversas tarifas públicas e serviços essenciais, ampliando sua relevância no panorama econômico nacional. O cenário de janeiro de 2026, com uma alta mensal e um acumulado negativo, reflete a complexidade das forças econômicas em jogo e a necessidade de uma análise aprofundada para compreender seus desdobramentos.

Para se manter atualizado sobre as tendências do mercado imobiliário e os indicadores econômicos que afetam seu dia a dia, continue acompanhando nossas análises detalhadas.

Fonte: https://jovempan.com.br

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