março 12, 2026

Haddad defende que BC fiscalize fundos em vez da CVM em meio ao caso Master

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econô...

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou uma proposta formal ao governo federal visando a significativa ampliação do perímetro regulatório do Banco Central (BC). A iniciativa central da medida é transferir a fiscalização e regulamentação de fundos de investimento, atualmente sob a alçada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para a autarquia monetária. Esta movimentação estratégica surge em um momento crucial, intensificada pelas recentes revelações de fraudes envolvendo o Banco Master, que utilizou fundos em operações ilícitas. A discussão sobre quem deve supervisionar esses instrumentos financeiros ganha urgência, dadas as complexas intersecções entre o mercado de fundos, o setor financeiro e até mesmo a contabilidade pública.

Proposta de ampliação do perímetro regulatório do Banco Central

O contexto do caso Banco Master e a urgência da medida

A proposta de Haddad para redefinir as competências regulatórias não é isolada; ela emerge em um cenário de crescentes preocupações com a integridade do sistema financeiro nacional. A recente deflagração da segunda fase da operação Compliance Zero pela Polícia Federal, na quarta-feira, 14, expôs um esquema de fraudes que utilizava fundos da Reag Investimentos em operações ilícitas ligadas ao Banco Master. A gravidade da situação levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição um dia depois, na quinta-feira. Este caso ressaltou a vulnerabilidade do sistema atual e a necessidade de uma supervisão mais robusta e coordenada. O ministro Haddad sublinhou a profunda intersecção existente entre fundos e finanças, que, segundo ele, possui um impacto considerável, inclusive sobre a contabilidade pública. Em entrevista, o ministro enfatizou que diversas atribuições que deveriam estar sob a alçada do Banco Central, na sua avaliação, encontram-se equivocadamente no âmbito da CVM. Essa sobreposição e, por vezes, a lacuna regulatória, criam um terreno fértil para irregularidades, evidenciadas pelo escândalo do Banco Master. A proposta busca, portanto, centralizar e fortalecer a capacidade de fiscalização em uma única entidade com maior expertise e poder de atuação no sistema bancário.

Histórico e articulações para a mudança

A ideia de expandir o perímetro regulatório do Banco Central não é nova e remonta a discussões anteriores. Em junho do ano passado, a própria autarquia já manifestava o desejo de aproveitar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65, que visa conceder autonomia orçamentária e financeira ao BC, para ampliar suas responsabilidades regulatórias. Naquela ocasião, o foco estava em transferir a regulação prudencial do mercado de capitais para a autoridade monetária, que já desempenha esse papel em relação a instituições financeiras e de pagamento. A justificativa sempre foi a expertise do BC em supervisão prudencial, garantindo a solidez e estabilidade do sistema. A discussão atual, conforme revelado por Haddad, conta com o envolvimento direto de importantes figuras e instituições, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além dos Ministérios da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e da Advocacia-Geral da União (AGU). Essa articulação multifacetada indica um esforço coordenado para avançar com a proposta, reconhecendo a complexidade e a importância da mudança para o arcabouço regulatório financeiro do país. A expectativa é que essa união de forças acelere o processo e garanta uma transição suave, caso a medida seja aprovada.

O futuro político do ministro e a questão fiscal

Resistência e pressões sobre a candidatura em 2026

Além das discussões sobre a reforma regulatória, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também abordou seu futuro político, especialmente em relação às eleições de 2026. Haddad afirmou que a decisão sobre seu papel na próxima corrida eleitoral será tomada em diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um processo que ele descreveu como uma “conversa de dois amigos”. Apesar das pressões crescentes para que dispute o Senado ou o governo de São Paulo, o ministro tem demonstrado resistência a se candidatar. Ele relembrou momentos em que já negou pedidos do presidente, como em 2020, quando Lula fez de tudo para que ele concorresse à prefeitura, e também durante uma viagem a Paris, quando Lula reiterou o convite para uma candidatura, ambos sem sucesso. Haddad expressou o desejo de deixar o cargo no início deste ano, antes do prazo de desincompatibilização em abril, por considerar fundamental que seu sucessor assuma a função logo no começo do ano, a fim de comandar funções cruciais como a execução orçamentária e financeira. Nesse contexto, o secretário-executivo de Haddad, Dario Durigan, é amplamente apontado como o favorito para assumir a pasta, em uma possível sucessão que garantiria a continuidade das políticas econômicas.

A defesa da tributação dos mais ricos e o apelido “Taxad”

Durante a mesma entrevista, Fernando Haddad abordou com satisfação e até ironia o apelido de “Taxad”, que lhe foi atribuído pela oposição em virtude de sua agenda de aumento de impostos. O ministro declarou que se sente feliz em ser lembrado como o titular da Fazenda que teve a coragem de propor e implementar a taxação de investimentos offshore, paraísos fiscais e dividendos. Ele ironizou a campanha da oposição, sugerindo que agora eles podem divulgar que, sob sua gestão, os bilionários finalmente começaram a pagar impostos. Com uma metáfora clara e impactante, Haddad disse: “Tô feliz de vocês lembrarem que eu sou o ministro da Fazenda que teve coragem de taxar o andar de cima, de cobrar condomínio de quem mora na cobertura e não pagava.” Essa declaração reflete sua visão sobre a sociedade brasileira e a necessidade de uma distribuição mais equitativa da carga tributária, onde aqueles que possuem maior capacidade contributiva realmente participem do financiamento dos serviços públicos e do desenvolvimento do país. A defesa intransigente da tributação dos super-ricos se tornou uma marca de sua gestão, gerando debates acalorados, mas também consolidando sua imagem como um defensor da justiça fiscal.

Implicações e perspectivas futuras

A proposta de Fernando Haddad para redefinir o perímetro regulatório do Banco Central, em meio ao escândalo do Banco Master, representa um passo ambicioso para fortalecer a supervisão do mercado financeiro brasileiro. A potencial transferência da fiscalização de fundos da CVM para o BC pode unificar e aprimorar a capacidade de resposta do Estado contra fraudes e instabilidades, dadas as atribuições já consolidadas da autarquia em relação a instituições financeiras. Paralelamente, a postura do ministro quanto ao seu futuro político e à firmeza na agenda fiscal, que busca tributar os mais ricos, sinaliza uma continuidade na busca por maior justiça social e equilíbrio nas contas públicas. Essas iniciativas, interligadas por uma visão de Estado mais forte e atuante, desenham um cenário de importantes transformações regulatórias e fiscais, com reflexos significativos na economia e na sociedade.

Acompanhe as próximas análises sobre as reformas regulatórias e o cenário político-econômico do Brasil.

Fonte: https://jovempan.com.br

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